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Kwame Gamal Mascarenhas Gomes Monteiro, caboverdiano de 45 anos , começou a sua aprendizagem na formatação do arame através do alicate em 1997, no Brasil (onde se licenciou em Educação Física), com três “malucos da BR” (artesãos nómadas) Baianos – o Marquinhos, o Zulu e a Lúcia – com os quais aprendeu as técnicas de “torcer” o arame, o encastramento de objectos, a base da filigrana e a técnica de produção artesanal em série, tendo também aprendido a aplicar conceitos físicos (estabilidade) e matemáticos (cálculo de harmonização de peças diferentes numa mesma peça integradora e a proporcionalidade entre as peças) à produção artesanal com um “maluco” argentino- o Jonas -, para além de ter “bebido” nas peças de todos os artesãos bijuteiros/joalheiros ,“malucos” ou não, com os quais se tem cruzado até hoje.

 

De 1997 a 2008 só trabalhou com arame de alpaca e cobre, utilizando a formatação do arame na ponta do alicate e montagens baseadas no encastramento puro (sem recurso à soldadura para estabilizar junções), com o recurso ao uso de pedras e missangas como elementos de embelezamento. 

Em 2009 frequentou um estágio formativo nas técnicas básicas de joalharia em ouro e prata na oficina do sr Daniel Fernandes , com os seus auxiliares Adi e Di (e sempre aconselhado pela sua prima D. Tete), no qual aprendeu a fundir, fazer arame, alianças e chapas, a soldadura, bem como as técnicas de acabamento ( limar, lixar, polir e lustrar). 

 

Ao associar as técnicas clássicas de joalharia à arte dos “malucos da BR” sul-americanos , deu origem a um novo estilo que, fugindo à joalharia “habitual” comercializada em Cabo Verde, agora se denomina “JOALHARIA CONTEMPORÂNEA DE CABO VERDE”, onde a principal característica evidenciada é a ousadia irreverente na concepção das peças e a inserção de materias nacionais (não convencionais em joalharia), tais como conchas, corais, dentes,pedras vulcânicas, sibitxi , pedras do mar e alguns minerais nacionais e também a valorização do design tradicional cabo-verdiano (pano d’óbra).